domingo, 8 de fevereiro de 2015
Carta aberta à Presidenta Dilma Rousseff
domingo, 11 de janeiro de 2015
Ser ou Não Ser Charlie: Qual a Questão?
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Je suis Charlie
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Vive-se, em alemão, uma forma superior de vida?
Está provado que só é possível filosofar em alemão”
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Oito regrinhas dedicadas ao aumento das possibilidades de sobrevivência e sucesso de brasileiros em terras de França
1. Dê um jeito de se comunicar em francês: se dispõe de conhecimentos desse idioma, use-os; se não, corra atrás, e tente o mais rápido possível passar a falar em francês na sala, na academia (a universitária, não a da malhação), na padaria, em todo lugar. NÃO acredite naqueles comerciais brasileiros de escolas de língua inglesa que apregoam que, falando inglês, você se dá bem em qualquer lugar do mundo: em qualquer lugar, menos na França.
2. Ainda no capítulo “uso da língua francesa”, não economize no uso das quatro palavrinhas/expressões obrigatórias (e eu não vou traduzir – falei que era pra você começar a se virar): merci, pardon, bonjour/bonsoir/ bonne nuit e s’il vous plaît. Ai de você se, numa ocasião de expectativa de uso das palavrinhas, você falhar!...
3. Ao ser convidado para jantares, almoços ou mesmo reuniões sociais em lares franceses, NÃO esqueça as flores para a dona da casa, ou mesmo para o dono da casa. A garrafa de vinho é bem-vinda em algumas ocasiões, mas cuidado: franceses conhecem vinho antes de começarem a falar, então não se meta a cavalo do cão nessa área se você é analfabeto ou semi.
4. Nas ocasiões sociais acima mencionadas, treine com antecedência pelo menos DOIS dos seguintes objetos de conversação social: A) “Para onde iremos / onde fomos na ultima ocasião de férias e feriados”; franceses ADORAM passear! Se você, pobre coitado estudante-bolsista ficou preso em casa diante do computador no último feriado, pelo menos faça perguntas interessadas acerca da Tailândia, Croácia e outros Marrocos, mas nem ouse se vangloriar de ter ficado plantado em casa num feriado – pobre coitado de você!. B) O tempo, o clima (frio ou quente) a méteo (tópico relacionado ao anterior). C) Gastronomia e enofilia, mas cuidado aqui, já avisei! Caso o assunto surja, e você seja daqueles que apenas preparam um ovo cozido (e erram o ponto) e põem pedras de gelo no vinho rosé (arghh!!!), faça perguntas interessadas – mas não completamente idiotas – sobre preparações, denominações de vinhos, etc.: franceses adoram ser professores e ensinar coisas, notadamente a pobres bárbaros não-franceses. D) Lugares exóticos do Brasil, notadamente a região amazônica, o pantanal e as cataratas de Iguaçu (mas aqui, de novo, tenha cuidado: eles sorrateiramente varrem o Google, qualquer informação em falso e eles denunciam na hora).
5. Nas mesmas ocasiões sociais, EVITE os seguintes motes de conversação: A) o quanto Paulo Coelho é péssimo escritor: deixe sua soberba literária arquivada no Brasil, pois Paulo Coelho na França está mais ou menos no nível de Hemingway, inclusive é Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural e Literário ou algo assim, honraria concedida pelo então ministro da cultura Jack Laing (ele próprio leitor apaixonado de Paulo Coelho). B) Nessa mesma linha, evite considerações acerca do quanto Lula é/foi um presidente fraquinho: Lula, aqui, é o cara! Melhor tirar partido, “ser brasileiro que nem Lula”. C) Piadas sexistas em relação às mulheres, e piadas politicamente incorretas em relação aos negros (ih!!), aos judeus (ih!!!!!!!) e aos árabes em geral e muçulmanos em particular (ihhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!). Aproveite e evite falar sobre imigrantes e minorias étnicas em geral. Terreno minado. D) Política partidária francesa: os franceses andam de saco cheio com a cena politica, abordar esse assunto estraga o clima. E) Do que morreu o vizinho, o professor Fulano, o sogro do seu anfitrião, etc.: franceses NÃO vivem divulgando causas-mortis, eles as tratam como assunto privado; portanto, fique na sua, satisfaça-se em saber que a criatura morreu e pronto.
6. Na academia (acadêmica, universitária), não espere elogios rasgados a NADA e nem a NINGUÉM (naturalmente você e seu magnífico trabalho estão incluídos na regra). Pelo contrário, haverá críticas, e feitas de uma forma direta e dura (sem os vaselinantes “veja bem” ou “está bom, agora...”), o que dará em você brasileiro(a) a impressão que o interlocutor francês o odeia inapelavelmente. Não, ele não o odeia, pelo menos não necessariamente: trata-se do jeito francês de lidar criticamente com o mundo das idéias.
7. As mulheres francesas têm o desconcertante (para brasileiros) e frequente comportamento que consiste em deixar à vista suas calcinhas, notadamente em seus deslocamentos em bicicleta (e olha que agora a Mairie de Paris disponibilizou bicicletas de aluguel nos arrondissements centrais da cidade – viva!) e quando se postam a flanar, sentadinhas despreocupadamente, no gramado do Champs de Mars, diante da Torre Eiffel, na área em frente ao Beaubourg (o Centre Georges Pompidou, no Marais), e nos gramados dos Jardins de Luxembourg, Vincennes, Versailles, etc. Esse antropologicamente interessante comportamento recrudesce, naturalmente, no verão, quando as saias encurtam e as meias se vão. Mas atenção: NÃO É PARA FICAR OLHANDO PARA AS CALCINHAS DAS DAMAS e DEMOISELLES! Tal comportamento costuma ser mal-recebido, não insista. Aprenda a olhar com a visão periférica, olhar sem olhar, entende? (Sim, porque dizer para não olhar, eu nem vou tentar aqui!).
8. Franceses, notadamente os parisienses, são aparentemente (para nosso olho brasileiro) duros, mas se deixam cativar por nosotros com estonteante facilidade. Aliás, esse é um trunfo cultural que brasileiro nenhum deveria desprezar: rapidinho nós conquistamos os caras/as caras. Como conheço a nossa raça e sei que muito dos nossos agrados e chamegos são pura falsidade, apelo para o senso de humanidade e responsabilidade cívica dos patrícios no sentido de evitar cativar franceses e depois abandoná-los sem a menor consideração, como os franceses fazem com seus cães e gatos nas férias de verão (sim, porque não vai ser por causa de um cãzinho ou gatinho que as férias serão comprometidas, JAMAIS DE LA VIE!). A raposa do Pequeno Príncipe, daquele livro francês que as misses brasileiras adoram, já dizia que “somos responsáveis pelas pessoas que cativamos”. Então zelemos pelo nosso renome afetivo-emocional e tenhamos atenção pelo nosso rol de franceses de estimação, d’accord? Agora, na era dos e-mails e sites de relacionamento, nenhuma desculpa é aceitável.
É isso, conterrâneos. Bonne chance, bon courage!sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Carta-aberta ao senador Jarbas Vasconcelos
Senador,
Eu, e muitos de minha geração, depositamos nosso primeiro voto para deputado no senhor e em companheiros seus do velho MDB, como Marcus Cunha e Cristina Tavares. Meus familiares na época vociferavam contra essa “turma”, bando de comunistas, o pior deles sendo o “tal Jarbas”, que inclusive havia “comprovadamente” batido no próprio pai, e por aí ia. Nessa mesma época me enchi de orgulho e alegria, “sem ódio e sem medo” gastando a gasolina de minha moto na campanha de Marcos Freire para senador, bons tempos aqueles! Mas o máximo, o clímax, e talvez a despedida desse tempo de ingenuidade e alegria, foi o retorno de Doutor Arraes a Recife; pelas ruas de Casa Amarela e Caixa d´Água, Santo Amaro, Brasilia Teimosa, Encruzilhada e Afogados, bradávamos triunfantes que ele iria voltar pela porta pela qual havia saído, naquele fatídico fusquinha, tão espremido no banco trazeiro, tão pouco espaço para tamanha personagem da história de Pernambuco e do Brasil. As voltas que o mundo dá: em pleno ano da graça de 2010, encontro em grupamento de pesquisa parisiense um ex-piloto de aviação que, sabendo de minha origem brasileira, me pergunta se eu havia conhecido um politico brasileiro de nome Miguel Arraes, que havia sido exilado político na Argélia e depois em Paris. Ora se conheço!!! – respondi. Pois bem, continuou ele entre divertido e triunfante, o senhor sabe quem foi o piloto francês que pilotou o avião que o conduziu, junto com familiares, em sua viagem de retorno da França ao Brasil? (!!!) O senhor?!? Me dê cá um abraço! (tratava-se do ex-piloto de aviação comercial Michel Jouanneaux).
Pois é, as voltas que o mundo dá: hoje, senador, já não voto mais no senhor, hoje sou eleitor de Eduardo Campos, a quem darei meu voto pela segunda vez no domingo três de outubro que já apita no horizonte. Voto em Eduardo Campos, diga-se, não porque ele me cooptou ou comprou meu voto: nunca pedi a ele nada além de compromisso pelo nosso estado, dele nunca recebi nada além da satisfação de acompanhar à distância a qualidade de seu governo. Quis as voltas e redemoinhos da vida que eu deixasse Pernambuco por outro estado nordestino, mas para o próximo três de outubro eu e a família vamos pra estrada, de volta à terra, para dar nosso voto e nosso endosso à continuidade do trabalho de Eduardo.
Ao que parece, o senhor perderá essa eleição. Quero contudo lhe dizer que apesar de todo o chão que batemos até hoje, do MDB ao PMDB, o senhor, como personagem da política, e eu como eleitor, e apesar do fato de que hoje nos encontramos em campos diversos do embate político, tenho pelo senhor consideração e respeito. Em nenhum momento me arrependo daquele meu primeiro voto no senhor, porque tinha e tenho a convicção que dei meu voto a um homem corajoso, lutador de um bom combate. Na sequência dos tempos heróicos da “abertura lenta e gradual”, da anistia e da redemocratização, nunca deixei de registrar sua pernambucanidade, sua gana em defesa de nosso estado, desde o apreço pela cozinha da terra até as brigas de cachorro grande em Brasília. Nesse contexto, o dia quatro de outubro, senador, tem uma significação importante na construção de sua biografia de político pernambucano: apelo ao senhor para que, a partir desse dia, reoriente seu esforço e sua gana em prol de nosso estado. Não lhe peço adesão ao governo de Eduardo porque isso seria impossível e não-cabível por uma série de razões, a primeira das quais o senhor ser Jarbas Vasconcelos, todas as demais sendo pouco relevantes diante dessa. O que lhe peço é grandeza. Nobreza. Pernambucanidade. Não resvale para o vão do ressentimento, venha ocupar o lugar que de direito lhe cabe na história desse estado, e de quebra na minha pequena e humilde história de eleitor pernambucano.